quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Inspiração da semana*

1. O amor é sempre a melhor inspiração.
2. Em mim, a música celebra-se todos os dias.
3. O que gosto mesmo de oferecer ao Martim.
4. E o que gosto tanto de fazer no Outono.
5. Este testemunho tem-me ajudado muito a manter o foco.

Palavras que podiam ser minhas, soubesse eu escrever (me) assim:

«Acordo cedo de manhã, não me levanto logo. Fico a fazer planos e promessas para o dia que começa.Quero ser mais tolerante. Respiro fundo e repito em silêncio, hoje vai ser um dia bom, hoje vou ser mais paciente, gentil e ajudar a ultrapassar os problemas. É esse o caminho.
Fecho os olhos e reúno forças para recomeçar.
À noite deito-me tarde,  demasiado tarde... descansar faz-me falta mas é à noite que consigo fazer muitas das coisas que não priorizo fazer durante o dia.
Quando deito a cabeça na almofada faço a revisão ao dia que vivi. Suspiro e relembro todas as situações em que não fiz o que devia, em que disse o que não devia, em que falei alto demais ou em que simplesmente falei demais.
São também assim os dias com eles, com elas sobretudo. Os conflitos surgem do nada e trazem uma onda de agressividade que só eu posso parar mas que, por vezes, ainda mando mais "achas para a fogueira", dias em que me perco e em vez de acalmar, de ajudar, dou por mim a gritar, a acusar a julgar. Quando isto acontece sinto-me tão perdida...
À noite, vou a cada quarto e despeço-me, desejo boa noite. Afago-lhes os cabelos e às vezes conversamos baixinho sobre o dia que tivemos, às vezes peço desculpa, outras vezes são elas que o fazem. Lembro-me que quando eram pequenas queriam sempre que eu lesse uma história, agora já não querem, agora falamos de outras coisas.
É a adolescência, uma altura maravilhosa de grandes emoções, certezas e intensidade mas também uma fase difícil, sempre soube disso, a minha foi.
Todos os irmãos se zangam - dizem-me muitas vezes... eu fico tão triste quando vejo as minhas filhas a zangarem-se.
Não são sempre assim os dias, são só quando durmo pouco, quando ando cansada, quando sinto que precisava de ter mais tempo para mim, para não ter de roubar ao descanso as horas que tanta falta me fazem.
Nestes dias...
Acordo cedo de manhã, não me levanto logo. Fico a fazer planos e promessas para o dia que começa. Quero ser mais tolerante, respiro fundo e repito em silêncio, hoje vai ser um bom dia, hoje vou ser mais paciente, gentil e ajudar a ultrapassar os problemas; é esse o caminho.
Fecho os olhos e reúno forças para recomeçar.» 

| créditos deste delicioso texto (onde me revejo na íntegra) | Viver todos os dias [um blog tão bonito, tão simples, tão genuíno, tão vivido]

» créditos imagem | blue mountain thyme

Soma | as partes que transcendem o todo

Criar uma marca. Desenvolver um plano de negócio que é um plano de (e para a) vida.
Arriscar. Tentar, falhar, tentar melhor, falhar melhor, tentar mais. Não desistir, mas não perder de vista a diferença entre determinação e obstinação. Aceitar que é tão importante para o nosso crescimento saber lutar por tudo aquilo que queremos, como saber assumir as nossas derrotas.
Ir mantendo lá em cima, com grande disciplina e o apoio dos que nos são fundamentais, a motivação, a resiliência, a elasticidade, a coragem, a vontade férrea, a fé. Sorrir perante a confirmação que vamos descobrindo como ciclicamente certa: às vezes, sem planear, a vida mostra que tudo cai no sítio certo. Com tempo. Esperando. Confiando.
1 de Outubro. Um novo recomeço. Um novo e tão desejado ciclo de vida. A fórmula que desejamos ser a certa. Depois de muitos e muitos meses de trabalho, equações, operações possíveis entre vários números, somas e multiplicações, chegamos à conjugação serena da primeira pessoa do plural.

«Para chegar mais longe. Para arriscar uma nova abordagem face às prioridades (que se mantêm). Para que a grow se cumprisse na sua promessa - e crescesse e assim se transformasse em algo diferente.
O mesmo foco. Os mesmos objectivos. Os mesmos valores.
Uma nova forma de fazer acontecer - partilhada, transdisciplinar, e ainda mais completa.»
Bem-vindos à Soma Collective.

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Ser Mãe de um rapaz

«Ser Mãe de um rapaz, do meu rapaz, é derreter-me com aqueles olhos castanhos, mais expressivos do (meu) mundo e seguir na vida confiante que a alegria de cada manhã é a prova de um trabalho de equipa muito gratificante.»

O texto, na íntegra, no muito querido eu, mãe.

Escolher (ser) saudável



O mote é: como fazer escolhas saudáveis todos os dias. O desafio não é "estar" mais saudável, porque isso qualquer um consegue, durante algum tempo, pelo menos. O desafio, a mudança de paradigma é "ser" mais saudável. É passar do entusiasmo e da ansiedade de uma paixão para a serenidade e paciência de um amor. De um «gosto muito» momentâneo, para um namoro permanente. E quem disse que esta forma de estar e de sentir (o que somos e como somos) é fácil, mentiu. Não é e não acontece assim, num estalar de dedos. 
Vou procurando manter o foco todos os dias. Não o consigo sempre. Ainda me deixo engolir pela velocidade da vida, das preocupações, dos horários, da exigência de tantos papéis. Ainda falho e ainda me arrependo de não conseguir gostar mais de mim acima de qualquer colher de açúcar. O processo é longo, duro, doloroso e continua a exigir de mim tanta, mas tanta força de vontade.
Apesar de ter ainda dias em que me perco no caminho, vou mantendo muito perto a inspiração de quem já chegou à meta. De quem sabe com muito mais certeza do que eu a importância de adoptar e manter um estilo de vida saudável. E há pessoas que são mesmo uma infinita inspiração e que dão uma ajuda preciosa para quem decide entrar neste comboio e dar uma gigante volta ao (seu) mundo.
Uma das minhas favoritas é a elegante Lindsey e o seu Dolly and Oatmeal. Aqui há sempre ideias de receitas óptimas, dicas muito saudáveis, a explicação pelas opções que faz e fotografias absolutamente irrepreensíveis. Gosto muito.

»créditos imagens & uma dose diária de boa energia e foco no essencial | dolly and oatmeal

Os «se» da nossa vida

«Aprendemos as regras gramaticais nas aulas de Português, mas não apreendemos todo o alcance do que aprendemos. Ficamos a saber, por exemplo, que o 'se' é uma conjunção subordinada condicional e o 'ou' é uma conjunção coordenada disjuntiva, mas isto diz muito pouco ou nada sobre o sentido de duas palavrinhas que tanto nos atrapalham a vida. Passamos o tempo a usar o 'se' e sem nos darmos conta atrasamos muitas vezes o passo por causa deste mesmo 'se'. Vejamos: sempre que estamos perante algo que não está nas nossas mãos mudar e pensamos ou dizemos qualquer coisa como "se vivesse aqui ou ali... se esta pessoa fosse assim ou assado, se fizesse isto ou aquilo... se tivesse o que mereço, se me dessem o que quero, se ganhasse mais, se a vida fosse diferente, se fosse mais novo, se fosse mais alto, se o meu chefe fosse melhor, se, se, se..." estamos a colocar-nos num plano distante, inatingível, fora da nossa capacidade de decisão, e, por isso mesmo, a alimentar expectativas irrealistas. Sempre que adiamos uma decisão ou deixamos de fazer alguma coisa verdadeiramente importante por causa de um destes 'se' que nos paralisam ou deixam em loops em circuito fechado, estamos a perder tempo e pior, a deixar que outros decidam por nós. Acredito que a existência é one shot e nos cabe ser o actor principal da nossa vida. Não me passa pela cabeça ser um actor secundário e, muito menos, um figurante no filme da minha vida e, nesta lógica, tento estar atenta às armadilhas dos 'se' e dos 'ou', para não desperdiçar demasiado tempo nem energia com impossíveis. É que o 'ou' também pode revelar-se uma ratoeira na medida em que nos desfoca do essencial. Habituámo-nos a pensar que as pessoas são 'isto ou aquilo', mas na verdade todos podemos ser 'isto e aquilo'. Podemos ser fracos e fortes, podemos pensar uma coisa e depois outra, sem que isso nos divida ou faça de nós pessoas menores. Muito pelo contrário! Nestas matérias acredito que mais do que a gramática, importa a matemática dos sentidos na lógica da multiplicação dos talentos e das capacidades. Muito complicado? Talvez não...

P.S.: A boa notícia relativamente a estas e outras palavras que condicionam a nossa vida tem a ver com a possibilidade de pormos os meios para atingirmos os fins. Quando podemos mudar alguma coisa em nós ou na realidade à nossa volta, os 'se' deixam de ser obstáculos e convertem-se em metas!»
Laurinda Alves

» créditos imagem | pure blyss

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Família com bagagem

Gosto muito de (os) mimar e gosto muito de ser mimada. Gosto de fazer as coisas que eles gostam e gosto que me perguntem se podem ser eles a fazer o jantar. Gosto de fazer surpresas e de receber sorrisos. Gosto das pequenas mensagens que trocamos durante o dia, todos os dias. Gosto da sensação de proximidade, de estarmos sempre perto uns dos outros de ser sempre um até já. Tenho um medo irracional de dizer  a palavra «adeus» a quem gosto muito.
Gosto desta lamechice boa que somos, do que nos habituámos a dar. Gosto até que me achem tremendamente pirosa na forma de amar. Porque gosto muito, sem vírgulas ou reticências, deste amor-grande-cheio-de-bagagem que a vida me deu. Mesmo nos dias em que não somos sintonia, sol e calor. Mesmo nos dias em que me zango, em que nos zangamos, em que grito mais do que gostava, em que perco a paciência e a razão, em que choro, em que fico em silêncio, em que volto atrás, em que dou o braço a torcer e peço desculpa. Desculpa, desculpa, desculpa. E sofro, e cresço, e respiro, e volto a confiar, em mim, em nós e na vida. E reconheço que também sou frágil, e é aí que fico mais forte.
Família com bagagem não é um mar de rosas. Acho que nenhuma família o é. Difícil, tão difícil, e em tantos dias. Ainda assim e mesmo assim, gosto muito de nós. E vou mantendo no lugar certo esta certeza «do que deve ocupar mais espaço no coração.»

Há quem adore sapatos

E há quem adore namorar casas. E namorar casas com luz. Casas que ficam lindas sob o sol do Outono, onde a luz é tão diferente, mais suave e sedutora, como se nos quisesse fazer apaixonar por ela enquanto nos dá tempo para «sofrer» menos com o fim do Verão.
Gosto do sol do Outono, do calor da família à mesa do pequeno-almoço, das manhãs que cheiram a scones, a chá de jasmim, a Bebel Gilberto no gira-discos e ao conforto de uma cozinha que se torna bonita de tão simples que é. 
» créditos imagem | lantliv

O Outono do meu forno





O cheiro de maçã com canela leva-me sempre de volta a casa. Aos dias em que as saudades apertam. Em que os abraços mais fortes, dos meus três pilares, fazem mais falta do que nunca. Em que o porto seguro devia ser já ali e não a 2500 quilómetros de distância. Em que as palavras do optimismo que cresceu comigo são a energia que preciso. Preciso mesmo.
O cheiro de maçã com canela lembra-me que saudade é uma palavra que dói, que as lágrimas teimam em cair não me deixar olhar para a vida de forma objectiva, racional. Há dias em que não me apetece. Deixo-me ir, deixo-me levar até casa, até aos abraços, às conversas, aos conselhos de quem sabe e tão bem me conhece, ao colo, às certezas que nunca mudam.
Há dias em que o cheiro de maçã com canela é tudo o que preciso para saber que está tudo bem. E o que não está, vai ficar.

Recomeçar. Hoje.

Uma pessoa aprende, com os anos e com a vida, a gostar de segundas-feiras. A perceber que elas são como o primeiro dia do ano todas as semanas: uma oportunidade para começar de novo, para encarar os cinco dias que temos pela frente como cinco oportunidades de fazer tudo o que planeámos, tudo o que queremos e tudo o que nos fará mais felizes. Não é por isso e em busca dessa felicidade simples que acordamos todos os dias? Devia ser. Devia ser sempre. Até porque esta existência é ímpar e não há espaço, nem tempo, para ensaios.

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domingo, 28 de Setembro de 2014

«Uma vida noutra vida»

Só quando nos permitimos aceitar o que há muito está gravado no nosso adn, a vida consegue mostrar o que de melhor guardou para nós. Há dias, horas, minutos, decisivos. E para quem não teme mudanças, as dificuldades e provações que temos de enfrentar acabam por arrumar tudo nos devidos lugares, no tempo certo. Quando começamos a virar a página, a chegar (finalmente) ao fim de um capítulo, a arriscar espreitar o próximo capítulo e ver o sol luminoso e quente que nos espera lá do outro lado da rua, respiramos fundo.
Por isso, o melhor é não pensar muito no que foi. Olhar para o que vem e agradecer pelo que se tem. Aceitar que não somos sempre fortes, que podemos ter momentos de dúvida e incerteza. O mais importante é conseguir retirar uma lição de tudo o que nos acontece, de quem nos acontece, e manter a convicção {forte} de que nada, mesmo nada, vem por acaso. Nem os dias de chuva. 
Os deste fim de semana vieram por bem. Para limpar e deixar no ar um dos cheiros que mais gosto: o da terra molhada. Muita esperança na renovação.

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Coisas boas de um Domingo simples

Passear a pé e à chuva pelo nosso bairro.
Apanhar troncos, pinhas, bolotas.
Deixar o Outono entrar, aos poucos, na nossa casa.
Ver um filme lamechas.
Fazer crumble de maçã.
Votar na escola que foi a tua.
Discutir convicções. Manter certezas.
Ficar a gostar um bocadinho mais de nós.

Domingo, Amor & Panquecas





sábado, 27 de Setembro de 2014

O pequeno-almoço dos nossos fins-de-semana




Acordar mais cedo do que eles. Preparar a mesa com todo o cuidado, com tempo e com muito mimo. Pão de cereais, leite, café, compotas, mel, manteiga de amendoim, amêndoas com pele, maçãs, os cereais preferidos dos miúdos, os girassóis que trazem de volta o sol, a cesta-do-pão que me enche o coração de tão bonita (de tanto orgulho naquilo que é nosso) e uma mesa posta em forma de amor, em forma de amar, de os amar, nas pequenas coisas, em tudo o que dou, e em tudo o que sou.

sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

As minhas manhãs

As minhas manhãs são um misto entre as mil coisas que trago na cabeça para fazer e o beicinho do meu filho que não me sai do pensamento e do coração. São um misto entre o entusiasmo de um novo dia e o beicinho do meu filho numa vozinha quase sumida a repetir até ao infinito que não quer ir à escola, que a escola não é fixe, que não gosta do Afonso porque ele lhe bateu, que a Margarida brinca mais com a Leonor do que com ele e que o Vicente não quer jogar à bola.
As minhas manhãs são um misto entre o equilíbrio que procuro manter em tudo o que me dá prazer, o que me faz sentir realizada e apaixonada pelo que faço, e a vontade de carregar no botão do pause da vida e ficar aninhada com a razão maior do bater deste meu coração. Esquecer todas as outras paixões que me movem e aproveitar todos os bocadinhos da única que dá sentido a tudo o mais.

Inspiração para o fim-de-semana »♥«



1. Ver este filme com o Martim.
2. Ouvir esta banda sonora.
3. Fazer esta receita.
4. Namorar este plano a dois.
5. Conhecer este Brunch.

Palavras que podiam ser minhas, soubesse eu escrever assim:

«Não há pessoa que eu conheça que não se orgulhe da sua frontalidade. Quando questionados, a resposta não é só afirmativa como assume cariz de bandeira- "eu sou frontal!". Não levar recados para casa, responder a tudo na cara, dizer literalmente o que se pensa é entendido como o expoente máximo da liberdade de expressão de qualquer pessoa que se defina como genuína. Quando, com todas as letras, assumo que sou pouco frontal, sinto o silêncio a pairar. Como se tivesse acabado de defender a pesca de baleias ou o espancamento à paulada de focas bebés. E é mais ou menos por esta altura, em que o silêncio se estende até aos limites da confortabilidade, que interrompo o espanto e fundamento. Não  sou muito frontal, não. Tenho um terrível receio de magoar quem recebe a minha mensagem e, creio mesmo, que nem tudo deve ser dito. A dialética causa- efeito tem tempos diversos, para mim. As mensagens podem ser passadas de outras formas, noutras alturas, através de outros contextos. Acredito que a melhor forma de dar uma lição a alguém é colocado na situação inversa e fazê-lo perceber como seria se recebesse a reação que está habituado a dar. Obviamente que nem sempre o outro entende o alcance ou sequer, quer saber. Mas, não acredito nessa frontalidade que se apregoa com orgulho. Nem acredito em quem a veste como um manto. Acredito, sim, que mais nobre é a capacidade de ouvir, de perceber as razões dessa reação, e de agir sem magoar e, acima de tudo, sem se magoar. Ando por aqui. Por aproximações. A ouvir alguns, a perceber outros e à espera que outros percebam. Tranquila.»
| ana almeida, na sua tão genuína pedagogia

» créditos imagens | parker young via valscrapbook

Nuvem 9

Ainda bem que os planos mudam. Ainda bem que as agendas se trocam quando gastas e nos fazem esquecer as vezes que falhámos, tentámos e falhámos de novo até acertar o passo. Que nunca nos esqueçamos das lições de humildade que as nossas quedas nos ensinaram.
Ainda bem que o amor continua a ser o que faz o mundo girar. Ainda bem que essa coisa do desígnio, do destino, não é exactamente como nós o traçamos, o queremos, o idealizamos. As surpresas [boas] acontecem e as pessoas mudam, transformam-se, crescem e encontram a linha do plano que lhes faltava para que, no final, tudo bata certo. Ou mais certo.
Claro que há dias em que apetece muito voltar no tempo. Há dias em que apetece fechar na concha e ficar por lá sem tempo definido para sair. A ansiedade e a busca da perfeição vão existir sempre dentro de nós e há dias em que precisamos somar certezas daquilo que queremos e de tudo o que não queremos.
Felizes dos audazes. E dos que têm coragem de dar um passo atrás, de admitir que estavam errados, de pedir desculpa, de hastear a bandeira branca, de acabar com o braço-de-ferro, de chorar tudo de uma só vez e de, mesmo com uma cicatriz a mais, ir buscar forças para reaprender a ser feliz, reaprender a dar uma nova oportunidade a si mesmos, à vida, aos outros, a um novo amor, e ao coração, aberto à esperança num novo «era uma vez».
» créditos imagem | pure blyss

quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Há quem adore sapatos

E há quem se perca de amores por detalhes e ideias originais para casas com muita personalidade.
Adoro, de paixão, esta mistura de cestas e chapéus de palha. E escadas e tectos em madeira pintada de branco.

» créditos imagem | delta breezes

O Outono na minha cozinha





Tinha muitos pêssegos em casa. Pêssegos que já não são doces e sumarentos como no início do Verão. Estavam a ficar moles, os miúdos torceram o nariz quando mandei no lanche da escola, e eu tinha de os aproveitar.
Grelhados na chapa, acompanhados de iogurte grego, mel, hortelã, amêndoas com pele, um bocadinho de canela e mirtilos fizeram uma sobremesa deliciosa, bonita, super simples e com ar de Verão.

» créditos imagens | às 9 no meu blogue

As respostas que procuras

Quando temos uma bússola e um porto seguro, quando temos a fé e a serenidade, quando temos as pessoas certas do lado esquerdo do peito, quando temos um amor para a vida inteira, quando temos a mão dada incondicionalmente à pessoa que somos, quando temos uma família que é o nosso equilíbrio, quando temos os amigos certos, quando temos a vontade, a energia e o optimismo, quando sabemos a importância de perdoar e agradecer, não precisamos mesmo de mais nada.
Se em cada dia renovarmos os mesmos desejos - saúde, amor, fé, trabalho, força, coragem, serenidade, humildade, gratidão e capacidade de perdoar (a nós e aos outros) - não há nada, absolutamente nada, que nos roube aquilo que na vida é  mais importante «ter»: paz.

» créditos imagem | blue mountain thyme via a well traveled woman

quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

Um emaranhado

Muitas vezes fazemos depender aquilo que queremos da validação dos outros. Esperamos por um sim dos outros para avançar, por um sim que nos dê mais confiança e mais força para seguir em frente. Tantas vezes não avançamos porque achamos que sozinhos não somos capazes. Achamos que sozinhos não vamos conseguir. Claro que é muito melhor ter alguém ao nosso lado, que nos dá a mão, que está lá para nós, incondicionalmente. Mas às vezes não dá, às vezes essa pessoa não existe, às vezes existe e não quer estar e a vida segue indiferente a tudo o que gostávamos que fosse.
A questão está em conseguir perceber, sozinhos, aquilo que merecemos. Em ter a certeza que nós somos a pessoa que melhor nos conhece. Em gostarmos de nós e da pessoa que somos, da nossa força de vontade em chegar onde queremos chegar e sem depender de ninguém.
A questão é perceber que muitas vezes vale mais a pena conversar connosco do que com quem só abana a cabeça e não nos ouve. Vale a pena ouvir o que diz o coração, de forma honesta e com intenção de ser ouvido.  Vale a pena pôr tudo o que dói, tudo o que magoa, todas as dúvidas e medos em cima da mesa, fazer uma boa limpeza, deixar só o que vale a pena e livrarmo-nos do resto. Encontrar em nós a força que precisamos e seguir em frente.
Às vezes conseguimos ser o nosso pior inimigo. Conseguimos boicotar a nossa própria ideia de felicidade. Pensamos que não merecemos, que há coisas que não são para nós. Carregamos culpas até doer as costas e a alma, achamos que vida feliz é coisa dos filmes, que se uma coisa nos está a correr bem é porque duas ou três vão correr muito mal, e vamos deixando a nossa mente vaguear nesta espiral de «má onda», sem vírgulas e ainda menos um ponto final. Deixamos que este círculo vicioso controle as nossas escolhas, os nossos passos, as nossas decisões e até as pessoas que entram ou saem da nossa vida.
E a vida passa. E passa a correr. E passa indiferente às nossas dúvidas, aos nossos medos, às nossas hesitações, às nossas indecisões, às nossas dores de crescimento. E um dia, quando olhamos para trás, percebemos que teria sido tão mais simples se naquela dúvida de poder errar, naquela ansiedade de querer ser perfeito, naquela dependência pela validação do outro, naquele medo que paralisa, tivéssemos  tido a coragem de virar a mesa, de nos virarmos do avesso e de dar um passo em frente, ou para trás (ou para o lado).
É que na vida muitas e muitas vezes é preciso fazer certo o que muitos pensam que é errado.  É preciso perceber que ninguém vai resolver a nossa vida por nós, ninguém vai pagar as nossas contas por nós, ninguém vai educar os nossos filhos por nós, ninguém vai amar por nós, chorar por nós, sentir e viver por nós. Ninguém vai deixar a nossa casa em ordem e a nossa mente equilibrada. Só nós.
Se não arregaçarmos as mangas, se não respirarmos fundo e seguirmos em frente a nossa vida vai ficar parada exactamente no mesmo lugar.
Saber viver também é parar de idealizar um momento perfeito para avançar. Uma pessoa perfeita para amar. E um mundo perfeito para ser feliz.

» créditos imagem | united by blue

O Outono do meu forno



10 pêras
1 embalagem de massa quebrada
1 embalagem de queijo quark
2 colheres de sopa de flocos de aveia
2 colheres de sopa de açúcar mascavado
40 g de manteiga (amolecida)
4 colheres de sopa de canela em pó

Pré-aquecer o forno, a 180º.
Lavar e cortar as pêras em quartos. Numa frigideira juntar o açúcar e a manteiga e deixar derreter um pouco (em lume brando). Juntar as pêras, polvilhar com canela e deixar cozinhar, sempre em lume brando, até ficarem douradas (numa espécie de caramelo). Deitar este preparado numa tarteira, previamente untada. Espalhar bem e deixar arrefecer um pouco. Dispor o queijo quark por cima das pêras, polvilhar com a aveia e cobrir com a massa quebrada.
Levar ao forno durante 15 minutos, até a massa ficar dourada. Servir ainda morna.

Nada é por acaso

No meio das muitas coisas que nos vão acontecendo na vida, há uma aprendizagem que vamos somando: a capacidade infinita que temos de encaixar tudo e mais alguma coisa no nosso "tempo". Quando queremos.
A capacidade que temos, quando queremos, de estar disponíveis para alguém que precisa de nós. 
A capacidade que temos, quando queremos, de inverter prioridades, de dar a volta à agenda, sem nos lamentarmos e dizer mal da nossa vida porque, coitadinhos de nós, temos tantos problemas.
A capacidade que temos, quando queremos, de aceitar que estamos a dar o nosso melhor, que estamos a aprender outro tanto sobre nós e que tudo o que realmente queremos (e fazemos por) conseguimos. Porque há sempre tempo para isso. Quando queremos.
Quando queremos o mundo gira e avança. Quando não queremos empurramos a vida com a barriga.

«Nem tudo o que queremos conseguimos, mas tudo o que conseguimos é fruto de muito querer.»
» créditos imagem | julia kostreva

terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Banda Sonora de Setembro #4

Há quem adore sapatos*

E há quem se apaixone perdidamente por cozinhas como esta. 
E há quem se perca de amores por esta luminosidade, estes tectos com vigas, este tapete às riscas, esta janela de frente para um jardim, e esta mesa, tão simples, tão «tosca» e tão perfeita. 
Podia cozinhar aqui todos os dias, enquanto os miúdos faziam os trabalhos de casa nesta mesa, com a música que serena da minha Madeleine Peyroux, com um beijo vindo do nada e só porque sim, e ser mesmo feliz. 
» créditos imagem | vt wonen

«E, no entanto, ela move-se.»



Às vezes a felicidade parece uma coisa quase ilegal. Uma coisa que quase devemos ter vergonha de sentir e ainda mais de afirmar. Às vezes parece que falamos de uma doença contagiosa, que ninguém quer apanhar. Acho que é isso que sentimos, uma espécie de contradição. Queremos sentir a felicidade, queremos tê-la por perto, queremos vivê-la até ao infinito, queremos partilhá-la, mas não a queremos afirmar. Temos medo de a afirmar. De a dizer, de a conjugar, de a ler, de a ouvir, de a dar, e de a receber. Temos medo de que se o fizermos, se dissermos com todas as letras que somos felizes, os outros (os que não estão no mesmo registo de felicidade) vão achar estranho, vão achar que se passa alguma coisa de errado connosco
Não sei bem qual é o conceito de felicidade dos outros. Conheço algumas teorias e todas têm como premissa a conjugação do verbo ter. Questiono mas não julgo, ainda menos partilho. Talvez apenas perceba melhor a dificuldade e a estranheza com que me olham tantas e tantas vezes, perante tudo o que não tenho e consigo assumir-me feliz.
Porque, para mim, a felicidade pode ser uma coisa tão simples como acordar ao lado da pessoa que amo, como sentir o bater do coração do meu filho quando o abraço, é saber-me amada e querida pela minha família, é receber amigos em casa e rir como só tivéssemos razões para rir, é passear de mão dada nas ruas do bairro onde me sinto em casa, é receber flores porque sim, é conversar com uma amiga e perder a noção do tempo, é poder escolher ser livre e fazer o que quiser com o meu tempo, é sentir nos pés a areia fria da praia no Inverno e na pele o calor único do sol do Outono, é adorar todos os anos e com a mesma intensidade e o mesmo espanto, o aroma reconfortante de castanhas assadas nas ruas, é  descobrir um sorriso delicioso de quatro anos quando descasco uma romã, é gostar do cheiro das primeiras chuvas na terra seca, é olhar para os outros e reparar. É olhar para a vida com olhos de ver e gostar dela, apesar das imperfeições, das contas para pagar no fim do mês, do orçamento que é tantas vezes tão apertado, das saudades de quem está longe e me faz tanta falta, das pessoas que nos desiludem e das pessoas a quem desiludimos, da chuva, do trânsito, das razões que não têm fim se preferirmos olhar para o lado B da vida.
Quero acreditar que ter tudo ou não ter nada depende sempre da perspectiva de quem vê o copo meio cheio ou meio vazio. Quero acreditar que esta prática da felicidade nas coisas pequenas gera mais dias bons, atrai mais pessoas no mesmo comprimento de onda e, consequentemente, afasta quem não sente e quem não é neste mesmo ritmo, neste mesmo compasso.
No fundo acho que é isto, há quem fique entre o certo e o errado da vida. E há quem prefira ficar entre o que faz bem e o que faz feliz.
» créditos imagens | deep love photography

segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Tempo de pêras, canela e forno


6 ovos
250 g de farinha de aveia (ou 3 chávenas mal cheias de flocos de aveia triturados)
2 colheres de sopa de canela em pó (ou açúcar de côco)
1 colher de sopa de açúcar mascavado
1/2 limão
1 colher de chá de gengibre (fresco e ralado)
1 colher de chá de essência de baunilha
1 colher de chá de fermento em pó
2 colheres de sopa de pepitas de chocolate negro (70% cacau)
1 iogurte grego
6 pêras


Lavar e cortar as pêras em pedaços pequenos (quadradinhos). Polvilhar com o açúcar e o sumo do limão. Reservar,
Envolver bem todos os ingredientes no processador, deixar para o fim os quadradinhos de pêra e o fermento.
Levar ao forno (que deixamos pré-aquecer bem, a 180º, enquanto fazemos a massa) em formas para queques durante 15 minutos (se usarem de silicone é muito mais simples, mas eu prefiro sempre as tradicionais, forradas com papel vegetal). Os queques ficam húmidos por dentro e dourados por fora.
São óptimos para mandar nos lanches dos miúdos, muito bons com um café ao pequeno-almoço e perfeitos para acompanhar um bom chá e um novíssimo episódio da minha muito querida Alicia Florrick. Hoje vai saber mesmo bem.
» créditos imagem | toasty biscuit via bread and olives

Guardar o Verão



Ontem, depois de uma manhã de chuva, arriscámos uma ida à praia para dizer adeus ao Verão. Para lhe dizer que, apesar de ter sabido a pouco, aproveitámos ao máximo todos os dias bons que nos ofereceu. Estivemos pouco tempo, mas deu para matar saudades do ar que já é mais frio, da praia que já é mais deserta e das casinhas às risquinhas azuis que nos recebem tantas vezes, em muitos dos nossos fins-de-semana de Outono e Inverno. Basta que não chova e é este o programa favorito de todos. Somado ao almoço dos melhores hambúrguers na casa onde mora o sol, e do lanche, antes do regresso a Lisboa, na novíssima Padaria da Praia.
Com um bocadinho de luz, e mesmo que sejam só uns tímidos raios de sol, quase, quase que podemos fingir que é Verão o ano inteiro.

(a cesta mais bonita do meu coração, aqui)